Em Bauru, tudo começou com as bandas de garagem, montando repertórios cheios do rock emo da nossa geração e projetos acústicos para tocar nos saraus da escola. E foi aí que tudo começou: aulas de canto, aulas de violão, aprender idiomas cantando músicas difíceis e descobrir bandas de rock enquanto baixávamos músicas com o nome errado no eMule.
Em 2011, já em São Carlos, fui encontrando meu espaço. Comecei convidada por músicos talentosos para pequenas participações e, depois, assumi bandas definitivamente, como a Hell Dolls, a Blackship e a tradicional Doce Veneno, que, com seus 50 anos de experiência, me deu um intensivão sobre o que me esperava da porta pra fora.
Mas agora era comigo: em 2017, a Amanda Vergara estava pronta para subir ao palco sozinha pela primeira vez, só com voz e violão, e assumir a bronca de transformar um amor em projeto de vida.
Em 2020, gravei meu single autoral “Das Seis” no Timbu Estúdio. Foi uma experiência incrível: minha primeira vez em um estúdio cantando algo que escrevi e tocando algo que compus. Naquele dia, ouvi algo que levo num post-it até hoje: a emoção e a entrega são muito mais importantes. Na arte, a verdade sempre vem antes do impecável.
Depois disso, fui convidada pelo Green View Estúdio para uma live session: gravação em um take só, tocando e cantando ao vivo, sem arranjos rebuscados ou pós-processamentos mirabolantes. Foi assim que registrei “Tarde Gris”, em espanhol, e “42”, em inglês — ambas composições minhas. Hoje, todas as três faixas autorais estão disponíveis e distribuídas via ONErpm em todas as plataformas de streaming.
A Vergara surgiu em 2020 e nos permitiu caminhos incríveis. Dividir a estrada com amigos significou aprender juntos o que fazer (e o que não fazer) a cada show: celebramos a vida em muitos aniversários, cantamos o amor em diversos casamentos e ocupamos pubs dentro e fora do estado de SP, revivendo os clássicos do Guitar Hero da nossa adolescência.
Foi nessa caminhada que criamos um dos nossos projetos mais especiais, que chegou a eventos municipais, editais de cultura, palcos do SESC, SESI e festivais por toda a região: o Divas do Rock e Pop Rock. Mais do que um show, o projeto nasceu do desejo de colocar o talento feminino no topo e mostrar: “Sabe isso que você consome e ama? Foi produzido, composto e executado por mulheres.” Representatividade deve ser vivida, não tratada como exceção.
E não poderia deixar de falar sobre alguns momentos que me enchem de orgulho nesses quase 10 anos de estrada. Levei meu som à televisão participando de programas no SBT, como o NaTV Pode (cobertura de São Carlos, Araraquara e região) e o jornalístico Noticidade, transmitido diretamente dos estúdios do SBT Central em Jaú — duas exibições que, somadas, alcançaram uma cobertura regional de mais de 120 municípios.
Dividi o palco com gigantes do rock nacional: fiz o show de abertura para o CPM 22 na tradicional Festa do Clima de São Carlos e tive a honra de representar a força feminina no projeto Mulheres de Timbre, no São Carlos Clube, onde estive ao lado de musicistas incríveis fazendo o show de abertura para a cantora Pitty — de quem sou fã assumida desde os 14 anos.
É muito legal lembrar que, em praticamente todos esses eventos, eu pude tocar “Das Seis”, minha música mais ouvida e relevante já publicada. Além dela, levei o meu repertório autoral para diversos pocket shows em festivais independentes e, inclusive, por dois anos consecutivos no Sonora - Festival Internacional de Compositoras.